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sexta-feira, outubro 20, 2006

Négocio ou talvez não...

Vou falar de um assunto delicado. E vou acabar também por expressar a minha opinião, afinal o blogue é meu. Razão tem uma certa deputada comunista, senhora de uma reputada sapiência e por quem este “social-democrata de ideias”, nutre uma sublime admiração. Li hoje num jornal da nossa praça que já se prepara o negócio do aborto. Estava lá, em letras grandes, para que não houvesse dúvida. O cinismo a que chegámos.

Não vou dizer que a culpa é do governo. A culpa é de todos nós que democraticamente contribuímos para um governo assim (e cada um tem o que merece). Isto podia estar resolvido há anos. Mas não, é muito mais giro perseguir as mulheres. Afinal, os tipos da inquisição também não andavam atrás das pessoas? Está na moda. Para as mulheres até que é bem feito. Em vez de terem feito aquilo… coiso e tal… vocês sabem… deviam, sei lá, molestar umas criancitas, comprado um saco azul ou soprado um apito colorido. Não havia justiça que as importunasse. Mas pronto, são umas teimosas e querem antes tirar algo que sentem que não lhes pertence. Que não têm condições para dar vida, que não desejaram porque lhes foi imposto da pior forma, sob ameaça. E por isso, são condenadas.

O debate tem que ser feito, sem dúvida. Que seja feito sem hipocrisias, com ideias claras, esclarecedoras. Vamos pensar nas mulheres como seres Humanos. Estou convicto que o SIM irá ganhar. Eu vou contribuir para isso. Faço-o de consciência e desafio todos a fazê-lo. SIM ou NÃO, importa que seja em consciência. Arrastar esta saga apenas irá molestar. Abre feridas em vez de as sarar. Amplia fossos em vez de os unir. Separa em vez de aproximar. Nenhuma sociedade se pode auto-proclamar justa quando persegue mulheres desta forma.

Fazem-se, sempre se fizeram, desmanchos no vão da escada, com mezinhas e métodos que por vezes põem em risco a vida das mães. Para lá de todas as discussões académicas, morais, puritanas e que tais, podemos dar finalmente uma oportunidade de melhores condições, de higiene e segurança a quem opte por esta via. Ao fim e ao cabo trata-se de um acto médico, como tal deve ser feito com dignidade e aptidão. Pode ser um negócio sim, mas tem alma e rosto Humano. Respeito os defensores do NÃO mas, aqui para nós quem ninguém nos lê, qual é a parte de que se-não-o-fizerem-aqui-fazem-em-Espanha-que-ainda-não-perceberam?

Aliás, o negócio é tão rentável para as clínicas espanholas que algumas já estão a mudar-se de armas e bagagens para cá. Grande sentido de oportunidade têm estes gajos! Vêm a possibilidade de o dinheiro lhes fugir e já estão a pensar em vir atrás dele. No centro desta polémica estão e estarão sempre as mulheres, seres Humanos transformados em mercadorias ou produto de uma qualquer prestação de serviço. Quanto mais depressa acabar a novela do referendo mais depressa isto serena. E paz precisa-se. Para o bem de todos.

Eu não queria, confesso que não queria, mas tenho que deixar aqui no ar uma perguntita… Será que um país que ainda não conseguiu resolver esta questão sócio/legal/moral com as mulheres que abortam está preparado para um TGV? A mania que nós temos, esta coisa das grandezas… Queremos ter um TGV porque está na moda mas não conseguimos resolver uma questão tão mais pertinente e importante para o desenvolvimento harmonioso de uma nação: as liberdades e garantias das suas gentes.
Pois eu acho que sei para que querem eles o TGV a rolar o mais rápido possível. É que assim, caso o NÃO ganhe, as mulheres podem ir a Espanha muito mais rapidamente e voltar no mesmo dia. E de caminho ainda fazem um aborto. Antigamente iam aos caramelos a Badajoz… Modernices!
Hoje acrescento uma coisita para irem espreitar. Estes tipos gostam muito de U2 e isso nota-se... ouve-se muito bem. http://www.youtube.com/watch?v=vZuS6aGcmjA

Imagem: "A criação", Miguel Ângelo

1 comentário:

Anónimo disse...

Por acaso acho o tema bastante pertinente, mais ainda quando vem de alguém que pertence á classe politica que CHUMBOU o referendo...

Ainda bem que em todos os sitios existe gente um pouco mais sencibilizada para esta causa.

Eu acho que sim que se devia legalizar o aborto, claro que, condicionado(ou então seria o metodo de contra-cepção mais utilizado), mas deveria ser legalizado. Há mulheres a fazerem-nos todas as semanas no minimo, em condições bastante precarias e sem saberem se elas proprias sairam vivas desse processo!!! Será que em vez de aumentarmos a natalidade como alguns defendem estamos a matar mais a população ou a fazer com que pessoas com o BELISSIMO dom de poder gerar um ser humano dentro de sí, nunca mais o possam fazer porque uma gravidez que por esta ou aquela razão não podia mesmo continuar, acabou com esse dom porque foi feita pela "D. qualquer coisa" a curandeira lá do bairro.
Deveria-mos reflectir muito bem antes de julgar alguém por ter feito um aborto, poderia-mos tentar pensar " E se fosse comigo, ou com a minha esposa, irmã, mãe ou sei lá com familiar ou amiga muito próxima..." pois é se calhar o caso mudava de figura não?

PENSEM BEM NISSO ! ! ! ! ! ! !


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