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sábado, outubro 28, 2006

O bem e o mal: toda a verdade!

Esta coisa do bem e do mal tem que se lhe diga. Foi das primeiras coisas de merchandising que alguém se lembrou de inventar. A promoção da luta entre as partes desavindas mobilizou culturas, gentes, religiões e constitui ainda hoje o eixo nevrálgico da nossa existência. E, consta-se, chegou a render muito dinheirinho.

Há dias um amigo meu dizia-se de pé atrás com o novo namorado da irmã. Não vou comentar isto até porque tive a oportunidade de, logo ali, expressar a minha opinião respeitando a dele. O que aqui me trás é a ilação, precipitada e leviana, que se pode tirar do que lhe respondeu outro amigo envolvido na conversa:
“É pá, o gajo não é mau tipo, não anda na droga, nem nada disso…”

Pronto. Já está. A partir de agora designa-se a qualidade da pessoa pelo facto de andar na droga ou não. O tipo dá umas passas, é mau. Não dá umas passas é bom. Simples, não é? Digam lá a esses tipos que continuam a impingir o tal wrestling que se pode fazer o teste com um charro. E a contra-análise pode ser com um sniff de coca. É prático. A malta que faz o controle, tipo pessoal da alfândega ou coisa parecida, trás um chamonzito em kit, hermético e higienizado, chega-se à beira dos desavindos e faz o teste:
“Ora faça o obséquio de chupar aqui no chamonzito, faz favor. Isso, encha bem o peito. Agora trave. Vomecê parece um sapo. Pode expelir o fumo.”
Caso o indivíduo requeira a contra-análise, é só acompanhá-lo a uma sala de chuto e aguardar o resultado. Doravante, ninguém mais terá dúvidas.

Já sei o que vocês estão a pensar. Que merda terá andado a fumar aquele austríaco que queria ser alemão? Bem aquilo bateu-lhe bem. E todos os outros, são tantos que nem vou mencionar nomes (podia esquecer algum e não quero desagradar a essa gente…), também lhe deram bem.

Não quero aqui fazer a exaltação da droga. Talvez um destes dias venha dizer o que penso da despenalização do consumo. Tenho plena consciência, porque conheço casos de vida, dos efeitos nefastos das drogas e da forma abrupta, fria e impiedosa com que destroem famílias. Mas o estigma está de tal forma enraizado que é isto. Na minha juventude, se um adolescente deixasse crescer o cabelo, era drogado. Se pusesse brinco, era drogado. Imagino, naquela época, alguém que lhes cruzasse o caminho, cravado de piercings:
“ Compadre, ali vai o traficante!” Nem todos os drogados são maus nem tampouco são bons todos os não drogados. Há por aí muito filho da puta que nem sabe o que é uma aspirina…

Esta mania, tão humana afinal, que temos de alvitrar juízos de valor sobre terceiros, deve ser usada com moderação. Parafraseando alguém, uma vez que não conseguimos eliminar o risco, vamos limitar as consequências dos danos. Chama-se a isto prevenção. E tem como aplicação prática, o respeito pelo próximo que é bonito e conserva os dentes…

Hoje não me apetece dar-vos música. Tou armado em mau, foi do Benuron… Em vez disso dou-vos cinema. Português. Apreciado, elogiado e babado no estrangeiro. Alice de seu nome.

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