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domingo, outubro 15, 2006

Hoje é o primeiro dia...

Hoje é que vai ser. Depois de alguma reflexão, do pára-arranca natural de quem está a começar uma coisa que pode vir a ser, diria, incómoda, decidi que de hoje não passava. Podia ter dito que já nem me lembrava que tinha criado este blog, com o intuito e o propósito que adiante irei descrever, que não tenho tido tempo para vir aqui destilar veneno mas isso seria... dizer a verdade e, neste país, dizer a verdade é, fatalmente, cair em descrédito. Tive uma namorada que me amava mais quando eu lhe mentia e me amava menos quando lhe dizia a verdade.
"Onde estiveste?"
"No bar com os amigos, a beber uns copos..."
"És um mentiroso."
Eu dizia a verdade e ela não me amava muito...
"Onde estiveste?"
"Na igreja, a ajudar o Xô Padre Cura Amílcar da Dores a preparar a missa..."
"És um amor."
Eu mentia e ela amava-me muito. Mais ou menos por essa altura aprendi que dizer a verdade não compensa mesmo nada, não dá riqueza. Que fique claro que ainda hoje me orgulho de ser pobre.
O que aqui irei publicar serão meramente desabafos. Eu sei que a Constituição da República me dá o direito à indignação. Sei que existem limites e confesso que não os conheço pelo que, desta forma, assumo que de quando em vez os vá ultrapassar. Sou homem o suficiente para, na altura e local certos, dar a cara e responder pelos meus actos. Não tenho a intenção de ofender ninguém até porque isso é bastante fácil de fazer aqui, ao abrigo do anonimato (quase absoluto) que um nick confere e eu sou um homem de desafios. Se não der luta não dá pica. E sem pica não vale a pena. A minha intenção é tão somente expressar a minha opinião sobre actualidades.
Disse e afirmo que não temo a justiça. Não só não a temo como creio nela. Ainda que seja a justiça que leva já mais de 2 anos para julgar um caso de pedofilia com figuras mediáticas. Aquele dos Açores demorou alguns meses apenas a ter sentença. Talvez a diferença resida no facto de, lá nas ilhas, os arguidos serem simples anónimos. Cá não são. Os de lá não vendem jornais, não dão audiências a televisões, ninguém os conhece. Mas fizeram mal às criancinhas e foram condenados. O caso foi descoberto depois deste da Casa e num ápice os papões passaram de arguidos a criminosos, com pena em regime de tudo incluido. Cá, pasme-se, até aperecem aqueles que choram na televisão pela inocência dos arguidos. Sim, cá ainda só são arguidos... Da forma que isto vai, ainda vão ter com a Júlia Pinheiro, lamentar-se e pedir a uma figura pública que cante (??) com um cantor de renome, na defesa da sua nobre causa. Em relação a tudo isto só tenho duas coisas a dizer. A primeira é que todos nós somos inocentes até prova em contrário. E eles são inocentes. A segunda é que, com a idade que já levo, a bagagem de vida que já adquiri, dá-me autoridade para dizer que nem tudo o que luz é ouro. Todos nós fazemos coisas de nos orgulhamos e outras de que nem por isso. E, como todos temos uma imagem a defender, fazemos de tudo para que ninguém saiba quais são as coisas que fazemos quase sem ponta de orgulho...
Agora é convosco. Comentem. Soltem a língua. Fazem-no à vossa responsabilidade mas soltem...
O SLB é o maior, canudo! (isto, para os mais distraídos, é uma provocação...)

2 comentários:

Anónimo disse...

Gosto sinceramente do que escreveste. Gosto especialmente da riqueza pura e da forma como usas o sarcasmos para enfatizares a tua mensagem. Por mim, bem podias dizer que os pedófilos da casa pia ainda estão livres indevidamente! Apenas pecaste por usares pouco "veneno", lei-se: verdade.
Concordo plenamente contigo naquela de te amarem quando mentem... Na realidade as pessoas são tão egoístas que nem sequer sabem dar valor ao facto de se ser honesto, e de que todos temos as nossas fraquezas... Mais poderia dizer, mas por hoje, vou-me ficr por aqui. Aceita um grande abraço! :-)

manuel marques disse...

Caro Iluminado,
não usei pouco veneno... digamos que racionei. O meu objectivo não é a má-lingua. Nem fazer julgamentos pois não estou habilitado para tal. O nosso código penal prevê a "presunção de inocência" e dessa forma, tal como escrevi, os arguidos ainda são apenas arguidos e, á partida, inocentes. Até que se prove o contrário.

Quanto à verdade, ela de facto incomoda. E, admitamos, é bem mais fácil ignorarmos o que nos incomoda. Basta fazer de conta que não existe, fingir que não acontece e pronto. Já está. Panaceia para todos os males, com resultados garantidos a 100%. O problema é quando percebemos que as coisas não deixam de ser como são só porque nós teimamos em não lhes reconhecer a existência. "O poeta é um fingidor..." Diz-te alguma coisa?

Abraço.


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