Ainda bem
Fiquei a saber recentemente que não houve culpados na tragédia de Entre-os-Rios. Ora ainda bem. Paz à alma das pessoas que pereceram num acidente hediondo e aos familiares que sofrem com a sua ausência. Os meus sentidos e sinceros respeitos. Mas mantenho o meu "ainda bem". Se não digam-me, nunca tiveram a sensação de estar num lugar ao qual sentem que não pertencem? Ou de olhar para alguém, numa determinada situação ou lugar e pensarem:
“O que está ali afazer aquele fulano?”
Eu confesso que sempre olhei para os arguidos de Entre-os-Rios com esta sensação. Aqueles senhores não pertencem ali. O que se pretendia era julgar os verdadeiros responsáveis. Aqueles sobre quem recaía a responsabilidade máxima da conservação da ponte. E em todas as hierarquias existem patamares. Se eu for pedir emprego a uma empresa, por exemplo, não o peço à giraça da recepcionista. Coitada. Acima dela tem o chefe de secção. Acima deste tem o chefe de pessoal. Acima deste o chefe de departamento. Acima deste o chefe de Recursos Humanos. Acima deste o Presidente do Conselho. Acima deste tem o Director Geral. Quem me irá dar a resposta, se tenho ou não o meu empregozito não é ela. A decisão virá de muito acima dela, provavelmente do topo. Então para que vou eu perder o meu tempo com a recepcionista? Endereço o meu pedido ao Director Geral e ele delegará em alguém a tarefa de me responder. As hierarquias funcionam assim.
Por isso eu insisto. Foi uma perda de tempo julgar as recepcionistas. Não faziam parte daquele filme. Provavelmente nem fizeram parte das inúmeras fotos de família, tiradas pelo mais insignificante motivo. Mas ainda assim acabaram no banco dos réus. Será pela inerência de funções, pelo facto de darem a cara pela empresa? Eu concordo com a ideia de julgar o que aconteceu naquele dia triste. E ainda espero que esse julgamento aconteça.
Descobri também (deram-me a dica…) que o presidente do Steua de Bucareste oferece uma pipa de massa para quem quiser ficar com o guarda-redes Carlos. Ora aí está uma bela ideia para um certo aglomerado nortenho, gerido por idosos (desbocados ou senis, a escolha é sua), para despachar uma ex-glória das redes nacionais. Se não aproveitam o ensejo, ainda fica para mobília. É sem dúvida uma medida das mais capazes, principalmente para fazer frente ao surto de gripe da aves que, mais dia menos dia, vem cá ter.
Hoje a música é outra: http://www.youtube.com/watch?v=iucCIOVIdLo
O que é nacional também é bom e é reconhecido de vez em quando por gente conceituada. Parabéns Rita.
Foto de manuel marques publicada com autorização escrita do autor.
“O que está ali afazer aquele fulano?”
Eu confesso que sempre olhei para os arguidos de Entre-os-Rios com esta sensação. Aqueles senhores não pertencem ali. O que se pretendia era julgar os verdadeiros responsáveis. Aqueles sobre quem recaía a responsabilidade máxima da conservação da ponte. E em todas as hierarquias existem patamares. Se eu for pedir emprego a uma empresa, por exemplo, não o peço à giraça da recepcionista. Coitada. Acima dela tem o chefe de secção. Acima deste tem o chefe de pessoal. Acima deste o chefe de departamento. Acima deste o chefe de Recursos Humanos. Acima deste o Presidente do Conselho. Acima deste tem o Director Geral. Quem me irá dar a resposta, se tenho ou não o meu empregozito não é ela. A decisão virá de muito acima dela, provavelmente do topo. Então para que vou eu perder o meu tempo com a recepcionista? Endereço o meu pedido ao Director Geral e ele delegará em alguém a tarefa de me responder. As hierarquias funcionam assim.
Por isso eu insisto. Foi uma perda de tempo julgar as recepcionistas. Não faziam parte daquele filme. Provavelmente nem fizeram parte das inúmeras fotos de família, tiradas pelo mais insignificante motivo. Mas ainda assim acabaram no banco dos réus. Será pela inerência de funções, pelo facto de darem a cara pela empresa? Eu concordo com a ideia de julgar o que aconteceu naquele dia triste. E ainda espero que esse julgamento aconteça.
Descobri também (deram-me a dica…) que o presidente do Steua de Bucareste oferece uma pipa de massa para quem quiser ficar com o guarda-redes Carlos. Ora aí está uma bela ideia para um certo aglomerado nortenho, gerido por idosos (desbocados ou senis, a escolha é sua), para despachar uma ex-glória das redes nacionais. Se não aproveitam o ensejo, ainda fica para mobília. É sem dúvida uma medida das mais capazes, principalmente para fazer frente ao surto de gripe da aves que, mais dia menos dia, vem cá ter.
Hoje a música é outra: http://www.youtube.com/watch?v=iucCIOVIdLo
O que é nacional também é bom e é reconhecido de vez em quando por gente conceituada. Parabéns Rita.
Foto de manuel marques publicada com autorização escrita do autor.

1 comentário:
O facto de não existirem culpados nesse caso resume-se a que numa hierarquia os louros e decisões sobem, as culpas e raspanetes descem. Ora se não se conseguio em tempo próprio provar as culpas, e ainda bem, não será agora que já foi julgado e provado que foi um acidênte... Mas neste país é sempre assim ou a culpa morre solteira ou então corre mal, e nem sempre o culpado o é. Nós já nos vamos habituando a isto, a este estilo de vida.
Exemplo:
Combate-se de forma quase eficaz a evasão fiscal e depois vem a público que após investigação dos rendimentos e despesas nas ultimas lesgislativa os partidos politicos não conseguem justificar de onde vieram certos cheques que só entraram nas contas depois de finda a campanha, e onde se gastou parte dos montantes... Ora se existe lesgislação própria quail seram as cenas dos próximos capitulos desta novela
Quanto á sugestão de, "o papa do futebolas" prescindir da nossa mais valia, para os confrontos directos, não acho boa ideia. A não ser que o LFV o contrate para ponta de lança, já que o rato Miccoli não vai poder jogar (e isso sim foi um gesto empreendedor de gestão...). Mas espero que o presidente do Steua faça um pedido de desculpas ao Carlos, porque por mais especialista que uma pessoa seja, não pode ser vaiada desta maneira em praça pública!!!
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