Jamais ou o deserto segundo o ministro
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações considerou ontem “faraónica” a construção do novo aeroporto de Lisboa na margem Sul do Tejo porque se trata de uma zona deserta.“Fazer um aeroporto na Margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas”, disse ontem Mário Lino, após ter terminado o almoço na Ordem dos Economistas. Ou seja, estas afirmações não foram proferidas de manhã, nem de véspera, nem em sonhos, nem à noitinha, foram feitas após ter terminado o almoço…
De facto, após um qualquer almoço, qualquer um pode achar desértica uma aldeia que tem quatro vezes mais habitantes que a Ota. Depende do que servem à sobremesa! A Margem Sul, onde vive perto de um milhão de portugueses, é uma das zonas mais dinâmicas do nosso país e não merecia tamanho insulto. Tem quatro grandes Hospitais públicos, um privado, outro em projecto e aprovado. Tem várias escolas, politécnicos e universidades, daquelas a sério. Tem um parque industrial que emprega cerca de 7 mil pessoas e que contribui em 2.5% para o PIB nacional: a Autoeuropa e respectivo parque de fornecedores. E até nos hotéis o ministro se esqueceu dos mega projectos para a Península de Tróia, alguns realidades já bem visíveis.
Afirmações desta irresponsabilidade, que desconsideram e humilham tanta gente séria, só são passíveis de se compreender se considerarmos o “ambiente descontraído” do momento e do local onde foram feitas as afirmações”. Está mais que visto que ainda não percebeu que é ministro de todo o País e, pelos vistos, alguém se esqueceu de o informar disso. Ou então faz isto por piada. Ainda recentemente brincou com a licenciatura do Primeiro-Ministro, frisando que ele, o Mário Lino, era engenheiro civil inscrito na Ordem.
Deixo no ar uma sementinha… Alguém já se questionou acerca da propriedade dos terrenos da Ota? A quem pertencerão tão predestinadas courelas, qual pedaços de chão celestial, valiosos como o mais intangível tesouro? Eu acho que essa é a chave. Talvez se descobrissem os verdadeiros interesses encobertos por detrás da teimosia da Ota. Mas, seguindo a mais genuína tradição nacional, isso só virá a lume quando os aviões já estiverem a aterrar para aquelas bandas (esperemos que se mantenham à superfície…). Quando já não se puder alterar o que quer que seja.
Assim, um dia destes, a corrupção ainda se torna uma instituição. E com estatuto de utilidade pública!
E esta agora? Será magia? Será ciência? Eu aposto em osmose. Alguém sabe o que é? Fica o desafio...
Imagem retirada aleatoriamente da net, usada com fins meramente ilustrativos
1 comentário:
Isso é mt bem feito para essa cambada da MS. Vistes algum deles a reclamar, vistes??? kem kala konsente!!! Mai nada! É td farinha do mesmo saco.
Enviar um comentário